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quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Expedição Machu Picchu - a viagem sem fim!

Acordamos bem cedo e começamos a preparação. Sensação de leveza, afinal conseguiríamos furar o bloqueio das manifestações no Peru e chegaríamos na manhã do dia seguinte em Cusco. Ainda poderíamos aproveitar um dia inteiro antes da partida para trilha rumo à Machu Picchu. Às 10 horas chegamos em frente à agência da Dunya. Mas peraí, cadê todo mundo??? A porta estava aberta, mas não havia ninguém... Bom, ela deve ter saído para tomar um chá... E o tempo passando... E nada de aparecer alguém! Começamos a ter aquela sensação de que algo errado estava acontecendo! As pessoas começaram a nos perguntar o que esperávamos. Quando explicávamos, tivemos várias respostas: a Dunya já foi levar o pessoal. Vocês tem que ir até a fronteira. Ela foi ali e já volta, vou avisar... E nada acontecia! Resolvi perguntar numa agência ao lado. A resposta foi categórica! Precisávamos pegar uma van até Kasani (cidade boliviana da fronteira), passar pela fronteira a pé e depois procurar pela Dunya no porto de Yunguyo (cidade peruana da fronteira). A Dunya estaria lá nos esperando. Bom, não era nada do que havia sido combinado, mas concordamos que não havia opção mais sensata... Pegamos a van e em poucos minutos chegamos na fronteira. Passamos pelo controle de passaportes e seguimos a pé para o Peru. A sensação que tínhamos era de que estávamos numa zona de guerra e a qualquer momento ouviríamos os tiros... Marcas de fogo no chão... Passamos! Controle de passaportes no Peru e descobrimos como chegar no porto. Fica bem perto e não foi necessário carro para nos levar. Quando chegamos ao local indicado mais dúvida! Aquilo era mesmo um porto? Parecia apenas a reunião de um monte de gente que não tinha o que fazer e ficava à beira do lago... Os locais nos confirmaram, o barco rápido sairia às 12h (no Peru tivemos que atrasar o relógio em 1 hora). E nada da Dunya... Vimos os barcos lentos saindo e isso pelo menos nos trouxe algum alívio. Restava esperar... Tivemos a companhia de um amigo especial!




E nada do barco... E nada da Dunya... Confirmamos mais algumas vezes que o barco rápido sairia de lá! De repente uma certa badalação e começamos a ouvir que viria uma banda que traria Marijuana... De novo não! Não foi ontem, mas vai ser hoje! A polícia vai acabar pegando a gente apenas por mais uma vez estar no lugar errado... Os músicos chegam e desistem do barco lento. Muito tempo sem comer, não aguentariam! Agora teríamos que disputar no braço o direito de subir no barco rápido! Isso se a gente realmente tivesse direito... Após algum tempo descobrimos que o nome da banda era Maria Juana e não levavam nada de Marijuana! Pelo que percebemos eles eram bem famosos por lá... Notamos que todos que estavam por lá começaram a se dirigir a um outro local. O barco rápido sairia de um outro "porto". Mas por que não nos falaram antes? Seguimos o movimento. Quase meio-dia e nem sinal do tal barco rápido. Quando perguntávamos a resposta era a mesma: ele surge de repente, quase voando como um avião jogando água para todos os lados! Ele é o barco rápido! Finalmente descobrimos o responsável pelo embarque (ele já estava no novo porto). Mostrei nossas passagens e ele perguntou com cara de assustado: onde vocês compraram isso? Olhei para o Joalbo e o Jean, era o fim da aventura! Resolvi responder mesmo assim: foi com a Dunya! Com a Dunya? Sem problemas então! A mulher realmente era poderosa! Após alguns instantes ela ligou perguntando se os brasileiros estavam por lá... Ufa! Eis que surge o barco rápido! Quase voando como um avião, jogando água para todos os lados... Não há um deck para embarque e é preciso entrar num barco a remo que nos leva. Interessante salientar que se paga 2 soles por esse serviço, ou seja, tenham dinheiro trocado para não ter que ir a nado! Poltronas extremamente confortáveis! Foram 4 horas de viagem bem tranquilas! Fomos recebido em Puno pelos parentes do responsável pelo embarque, pois já haviam comprado nossas passagens de ônibus leito para Cusco. Oitenta soles cada! É mais caro que comprar diretamente na rodoviária, mas era mais garantido e não tínhamos muito tempo para arriscar. Puno é uma cidade feia, mas percebe-se que é muito mais organizada que as cidades bolivianas. O trânsito então nem se fala!




Fomos para a rodoviária para aguardar. Nosso ônibus sairia apenas às 21 horas. Após uma longa espera, era chegada a hora de partir. Passaríamos a noite inteira no ônibus, mas pelo menos os bancos realmente pareciam camas!


Partimos no horário exato! Temperatura agradável, luzes apagadas! Perfeito! Após mais ou menos 1 hora de viagem o ônibus para. Alguns minutos sem entendermos o que se passava até que o motorista avisou pelo sistema de som: rodovia fechada por manifestação em Juliaca nas próximas 48 horas, vamos voltar à Puno! Desolação total dentro do ônibus! Já era nossa trilha! Não conseguiríamos chegar à Cusco em tempo... Durante alguns minutos minha cabeça ficou a mil tentando achar uma solução... Em vão! Nada a fazer, era dormir um pouco até Puno. Seria uma noite daquelas...
Estava num sono gostoso quando o Jean me cutucou: estamos há mais de 1 hora nessa estrada de terra. Não tínhamos passado por ela... De vez em quando o ônibus parava e o motorista perguntava alguma coisa para alguém... Esperança renovada! Ele decidiu pegar um caminho alternativo! A estrada era cheia de obstáculos e barrancos e tínhamos que parar a cada instante para que o ajudante do motorista desse as orientações necessárias para continuarmos a viagem! Num desses momento o ônibus ficou preso! Todos para fora do ônibus! Três horas da manhã num frio de rachar!!! Escuridão total! Já estávamos quase congelando quando finalmente o motorista conseguiu sair da armadilha...



Nesse meio tempo conseguimos nos comunicar com o Glenn, que já tinha chegado em Cusco e teria que fazer a negociação com a agência que nos levaria na trilha (ainda não tínhamos fechado nada). O restante da viagem foi tranquilo. Ao invés de 8 horas, levamos 17 horas até Cusco. Pelo menos chegamos! Depois ficamos sabendo que a manifestação em Juliaca foi bem violenta e 5 pessoas morreram naquele dia... Cusco é uma bela cidade! Alegre, jovem, agitada... A bandeira inca está por todos os lados! Inicialmente achávamos que estava havendo algum movimento LGBT na cidade, uma vez que a bandeira é muito parecida... Essa dúvida deve ser unânime pela cara que o taxista fez quando perguntamos sobre isso...




Chegamos ao hotel, encontramos com o Glenn, passeamos pela cidade, almoçamos, resolvemos os últimos detalhes para a trilha (agência amazin adventures e aluguel de sacos de dormir) e nos recolhemos. Pena que aproveitamos pouco da cidade... Dia seguinte acordaríamos às 4 horas da madrugada para o início da grande aventura. Rumo à Machu Picchu!

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Expedição Machu Picchu - Isla del Sol, Bolívia

Como já falei anteriormente, nossa programação foi mudada pelo fatídico dia extra em La Paz e pela fronteira fechada entre a Bolívia e o Peru. O ônibus até Puno levaria 9 horas ao invés de 3 e só estava saindo pela manhã. Abortamos de imediato a idéia de dormir na Isla del Sol, mas não desistimos de conhecê-la. Sacrificaríamos um dia em Cusco. Desta forma, poderíamos explorar com mais tranquilidade a ilha, que segundo a lenda, foi o berço do Império Inca. Partimos no primeiro barco do dia, por volta das 8 horas. A passagem custou 25 bolivianos (na beira do lago custa 20 bolivianos, mas compramos no hotel e incluia o transporte até o barco).
A Isla del Sol foi o local onde nasceram Manco Capac e Mama Ocllo, o primeiro imperador inca e sua irmã (e esposa) respectivamente. Lugar sagrado para o povo da região. O trajeto dura em torno de 3 horas. Inicialmente tudo é muito bonito, mas vai ficando bem entediante... Há opções de lanchas rápidas, mas o valor é muito mais elevado. O barco é bem simples com cadeiras pregadas de forma bastante improvisada...
O "capitão" vai conduzindo com seus pés, enquanto sua cabeça fica para fora para ver melhor para onde está indo... A paisagem é estonteante!






A primeira parada é por volta das 10 horas na parte sul da ilha. Quem desejar pode descer nesta parte, ela é mais povoada e com mais opções de hospedagem, ou seja, mais turística! O barco parte logo em seguida até a parte norte. De lá, retorna às 13h30 até a parte sul e daí em torno de 15h30 de volta à Copacabana. Não percam este último horário (alguns barcos partem um pouco mais tarde) ou terão que dormir na ilha. Na chegada ao norte, já nos espera um guia com papo de que vai ajudar, mas no fundo ele quer mesmo e ganhar seu dinheiro como a maioria dos que encontrar pelo caminho. Se quiser fazer seu tour de forma independente, acompanhe o guia até o museu, pague seu primeiro pedágio obrigatório no valor de 10 bolivianos e siga o fluxo. Não há como se perder!



Compramos água e lanche para o caminho e seguimos em frente. No início da caminhada temos a impressão de estarmos numa praia. Na parte norte, povoado Challapampa encontramos algumas ruínas incas como a mesa de sacrifícios (onde rolam uns rituais com  feiticeiros ou alguma espécie de pajé), o labirinto Chincana e a pedra sagrada. Além das ruínas, a todo instante visuais daqueles que valem a viagem!








Após visitarmos as ruínas tínhamos duas opções: partirmos para um trekking de aproximadamente 4 horas em direção ao lado sul e pegarmos o barco de lá ou esperarmos o barco para voltarmos numa fantástica e entediante viagem sem qualquer esperança de acontecimentos sensacionais. Alguém tem dúvida do que escolhemos? Não há necessidade alguma de guia nesta parte do caminho! É só seguir a estrada. Não tem erro, mas prepare o fôlego mais uma vez! Você vai subindo, subindo e quando pensa que está na parte mais alta lá vem outra subida e mais uma, mais outra... Parece que não vai ter fim!  E lembrem-se: a 3800 metros de altitude! No início é um pouco frio, mas o esforço e o sol tratam de esquentar rapidinho! Protetor solar (pele e labial), óculos de sol e muita água são fundamentais! No trajeto encontramos mais 3 postos de pedágio, mas um deles apenas verificou se já tínhamos pago no anterior. Cinco bolivianos cada. E a cada instante mais paisagens de tirar o fôlego! Indescritível o azul do lago!







E onde está o final dessa subida? Nosso treino para Machu Picchu começou a revelar algumas coisas... 1- Apesar do preparo físico, a altitude derruba! 2- As calças impermeáveis que compramos iriam nos matar de calor, apesar de respiráveis! Quando finalmente começamos a descer, foi essencial a presença dos bastões. Os joelhos sofrem um bocado! No final, fizemos a trilha em aproximadamente 3 horas e meia. Tiramos fotos com a "Lhamita"... Não por vontade de tirar fotos com a "Lhamita", mas para ajudar as famílias que vivem disso por lá... A menina da foto cobrou 1 sol. Descemos uma enorme escadaria e por fim chegamos ao porto da parte sul! Trekking finito!




Descansamos um pouco e pegamos nosso barco de volta à Copacabana. Estávamos quase lá e de repente o "Capitão" começa a nos levar para outra direção... Surpresa! Ilhas flutuantes para turistas! Já tinha ouvido falar das de Puno, mas essas foram o fim da picada! Ainda mais após um dia extremamente cansativo! Pelo menos não demoramos muito no local...



De volta à Copacabana! Hora de conseguir um meio de viajar a Puno no dia seguinte... Andando pela cidade descobrimos a opção de ir num barco com duração de 9 horas... Resolvemos insistir na procura e como por milagre encontramos a Dunya! A única na cidade inteira a vender barcos rápidos para Puno!!! Quatro horas de viagem! Após pesquisarmos um pouco fechamos com ela. Voltaríamos no dia seguinte às 10 horas e de lá seguiríamos com ela para a fronteira. Ficou bem mais caro, mas conseguiríamos chegar em Cusco na manhã anterior à saída de nossa trilha para Machu Picchu. Problema resolvido, decidimos beber umas cervejas num pub com música ao vivo. Abordagem do barman ao chegarmos: se quiserem fumar algo, sejo o que for, é só me chamar! Já me imaginei preso na Bolívia por não ter feito nada, mas estar no lugar errado... Bebemos umas cervejas, o Jean e o Joalbo jogaram sinuca e voltamos ao hotel. Dia seguinte tínhamos um dia de aventura pela frente!

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Expedição Machu Picchu - Copacabana, Bolívia

Partimos por volta de 8 da manhã rumo à Copacabana, às margens do lago Titicaca. O nome Copacabana vem do dialeto Aymara e significa vista do lago. Uma réplica da imagem de Nossa Senhora de Copacabana, padroeira da Bolívia, foi levada ao Rio de Janeiro no século XIX, dando origem ao nome do tão famoso bairro.
A viagem dura cerca de 4 horas no ônibus turístico. A paisagem inicial é típica do altiplano com montanhas nevadas ao fundo. Vale a pena curtir o visual.




De repente, avistamos o Titicaca. Uau! Maravilhoso e interminável! A cor é de um azul indescritível! O lago Titicaca é o lago comercialmente navegável mais alto do mundo, mas não é o mais alto como alguns acreditam. É o segundo maior em extensão na América do Sul, perdendo apenas para o lago Maracaibo na Venezuela. Existe toda uma importância histórica em relação a criação do Império Inca, mas isso é assunto para mais tarde...
Após 2 horas e meia paramos na cidade onde teríamos que passar pelo estreito de Tiquina de barco. Ônibus vazio por um e passageiros pelo outro! Olhamos para o barco do ônibus e dissemos: ainda bem! Até avistarmos o nosso... Os coletes salva-vidas eram precários e duvido que fizessem um adulto boiar! A distância é pequena e não acredito que haja história de acidentes...






A cidade da margem oposta é São Pedro de Tiquina e de lá pegamos novamente o ônibus, que leva aproximadamente mais 50 minutos até o destino final.




De longe avistamos Copacabana e ao entrarmos na cidade, percebemos que tratava-se de uma cidade simples, porém muito agradável e tranquila. No desembarque fomos abordados por diversas pessoas que ofereciam hotéis. Escolhemos o Hotel Utama, do qual já havia ouvido falar bem. Excelente escolha! Ele fica situado quase ao pé do Cerro Calvário e tem transporte gratuito. Apesar de não ser muito longe, faz a diferença para quem está com mochilas pesadas. Funcionários simpáticos e acomodações confortáveis. Tem serviço de wi-fi pago de razoável qualidade. O preço é bem acessível! Algo como 17 reais por pessoa/dia. Chá de coca e frutas à vontade!



Após deixarmos nossas coisas, fomos saber sobre a viagem a Puno, nosso próximo destino. Surpresa! A fronteira Bolívia-Peru estava fechada por manifestações na estrada peruana. O que normalmente levaria 3 horas de viagem agora ficava em torno de 9 horas e saindo apenas num horário! Nossos planos começaram a ter que mudar rapidamente... Nada de dormir em Isla del Sol! Perderíamos muito tempo e teríamos que diminuir o tempo de permanência em Cusco. Como diria o Jean: C'est la vie!  Hora do almoço e beber algumas Paceñas. "Uma cerveja antes do almoço é muito bom pra ficar pensando melhor"... Escolhemos um restaurante à beira do lago para comermos uma Trucha, prato característico do local. Trucha à la Vasca! Aprovadíssima!



Passeamos pela cidade, conhecemos a Igreja de Nossa Senhora de Copacabana (só por fora, pois estava sendo realizado um casamento) e decidimos subir o Cerro Calvário para acompanhar o pôr do sol. Haja fôlego! A subida não é mole, mas compensa! A cidade vai ficando pequena e avistamos a Isla del Sol pela primeira vez.












Terminado o espetáculo, hora de pegar o caminho de volta... Escolhemos um restaurante com música ao vivo, um argentino cantando bossa nova quase sem sotaque. Bom para quem gosta... Mas o grande incentivo da noite foi happy hour de pisco sour (2 pelo preço de 1). Perdi as contas no quarto...


Retorno ao hotel e compra de nossas passagens de barco. Dia seguinte: Isla del Sol, berço do Império Inca!