Mostrando postagens com marcador Líbano. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Líbano. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Oriente Médio - Anjaar, Baalbek e Château Ksara

   Acordamos cedo mais uma vez, tomamos o café e quando chegamos à entrada do hotel, o Hussein já estava à nossa espera. O dia seria bem longo, com grandes trechos de deslocamento. Confirmamos com o Hussein sobre a segurança do passeio, afinal chegaríamos bem próximo à fronteira com a Síria e estaríamos em alguns locais controlados pelo Hezbollah. A mesma resposta: tudo tranquilo! Nenhum problema!
   Seguimos para o Vale do Beqaa, um vale muito fértil do Líbano, caminho até a cidade de Anjaar. Fizemos uma paradinha para fotos. Olhando apenas a paisagem, ninguém diria que estávamos no Líbano.



   Anjaar é uma cidade com praticamente toda a população formada por armênios. As ruínas não impressionam tanto, uma vez que a maioria das construções foi completamente destruída. O que mais chamava nossa atenção era a proximidade com a Síria, logo atrás das montanhas. A fronteira oficial ficava a apenas 1 km de onde estávamos… Na entrada do sítio arqueológico existe uma pequena lojinha de artesanato e produtos típicos armênios.





   Um breve descanso e seguimos nosso passeio rumo à Baalbek. E a partir daqui a coisa ficou um pouco mais tensa… Pegamos a estrada, levaríamos em torno de 1 hora e meia. Pelo caminho muitas barracas que o Hussein nos dizia ser de ciganos, mas sinceramente, pela quantidade de pessoas e proximidade com a fronteira, nos pareceu muito mais campos de refugiados sírios. A rodovia era muito bem preservada, sem nenhum buraco, pista dupla. De repente, uma certa confusão no caminho, um grave acidente. Tinha acabado de acontecer! Os libaneses dirigem loucamente, falando e enviando mensagens pelos celulares. Surpreende não vermos mais acidentes como aquele com vítimas fatais… A cada passo que dávamos em direção à Baalbek, percebíamos nitidamente a diferença: cartazes de propaganda política com candidatos de armas em punhos! Pistolas, bombas e metralhadoras! Assustador. Não havia dúvidas, estávamos num reduto do Hezbollah. Tratei de deixar minha câmera bem escondidinha, não tinha o menor interesse de ser questionado sobre fotos proibidas. No caminho passamos por algumas barreiras militares, mas não fomos parados em nenhuma. Chegamos em Baalbek e fomos direto ao sítio arqueológico. Nas proximidades, diversas lojinhas de artesanato e lembranças. Todo mundo tentava nos vender camisetas amarelas com palavras de amor ao Hezbollah e desenhos de soldados e armas. Negamos gentilmente. Fico imaginando se algum turista ocidental compra esse tipo de souvenir… Compramos as entradas e nos ofereceram serviço de um guia por 20 dólares americanos (para os três). Acabamos aceitando a proposta e seguimos o simpático velhinho… As ruínas de Baalbek realmente impressionam. Além da grandiosidade, a conservação é muito boa. As principais construções são os templos de Júpiter e Baco. As explicações do simpático velhinho até que estavam interessantes até o momento em que ele começou a falar a cada intervalo: vocês combinaram 20 dólares, mas fica ao seu critério. Se acharem que mereço mais, fiquem à vontade! Não estou de brincadeira, ele deve ter repetido umas 15 vezes essa mesma frase! It's up to you! Bem no finalzinho do tour, quando demos os 20 dólares (e ele repetiu mais uma vez a fatídica frase), ouvimos sons de tiros ao longe… Bom, eu não ouvi, pois era o único que ainda prestava atenção no senhorzinho. Cheguei a duvidar que seriam tiros mesmo, porém mais tarde confirmaríamos. Rebeldes sírios faziam disparos na região, tentando evitar a retomada pelas forças nacionais! Hora de partir! O Hussein chegou a perguntar se queríamos ver mais alguma coisa na cidade, se queríamos almoçar… Não, não! Vamos para Ksara!







Fomos deixando Baalbek para trás… Os cartazes estilo Rambo foram sumindo, nossa respiração foi voltando ao normal. Barreira militar. Mandaram encostar dessa vez. Passaportes e aí o soldado começou a falar em árabe com o Hussein. Parecia meio bravo, não sorria. Nosso motorista com um sorriso meio amarelo. Devolveu os passaportes e nos mandou seguir. Perguntamos o que ele tinha falado, ao que o Hussein respondeu: Queria saber se vocês comeram as esfihas de Baalbek, são as melhores! Ah tá, conta outra que essa não colou…
   Ksara é a vinícola mais importante do Líbano. Eles se orgulham de ter vinhos premiados. Fizemos um pequeno tour com degustação de seus vinhos. Não pagamos nada pelo tour. Nossa guia foi a Madonna! Uma jovem libanesa com bons conhecimentos de inglês e francês. 








   Degustação terminada, hora de voltar para o hotel e esperar até nossa saída rumo ao aeroporto. Na madrugada partiríamos para Turquia encontrar com a parte feminina da equipe.
   O Líbano foi uma grata surpresa para nós, mas depois dos tiros, Hezbollah e proximidade com a Guerra civil na Síria, era um certo alívio poder sair do país. O Hussein nos levou até o aeroporto. Um grande cara! Só quis receber o dinheiro de todos os passeios no final de tudo. Na hora do check in na Turkish em Beirute, resolvi tentar um upgrade de classe. Era meu aniversário! Nada mais natural num voo vazio! Cheguei até a atendente e perguntei:
   - Será que consigo um upgrade, afinal é meu aniversário?!
   - Claro que não!!! Mas pense num tom ríspido…
   E lá seguimos os três na maneira mochileiro econômico. Próxima parada Capadócia!

domingo, 6 de abril de 2014

Oriente Médio - Jeita Grotto, Harissa e Byblos

    Acordamos cedo, pois o dia seria cheio. Hussein já estava à nossa espera quando descemos. Primeira parada: Jeita Grotto. As cavernas (upper e lower) foram candidatas às 7 maravilhas da natureza, porém acaboram fora da grande final. No caminho íamos nos perguntando o que uma caverna no meio do Líbano poderia ter de tão especial para ser um dos destinos turísticos mais apreciados do país.
   É interessante visitá-la logo cedo, evitando as grandes excursões de estudantes libaneses e suas repetitivas  perguntas aos estrangeiros:
   - Hello! Where are you from? What's your name?
   Compramos os ingressos e subimos de teleférico até a caverna superior. Para os que tem medo de altura, posso afirmar que o passeio é bem tranquilo e rápido. Bastou começarmos a entrar que nossas dúvidas desapareceram. Infelizmente não é possível entrar com câmeras fotográficas e existe um armário com chaves onde é preciso deixá-las. Após o passeio pela caverna superior seguimos para a parte de baixo, lá é possível dar uma voltinha num barquinho. A iluminação faz o espetáculo da natureza ainda mais interessante. As fotos que aparecem abaixo foram tiradas de sites de divulgação do lugar.






   Após a visita às cavernas é só esperar para pegar um bondinho e retornar ao estacionamento, ou como nós fizemos, descer andando e apreciando o local. A distância é curta e na descida todo santo ajuda, né?!
   Mais uma pequena viagem até o local onde pegaríamos o teleférico rumo à Nossa Senhora do Líbano (Harissa é o nome da montanha onde ela se encontra). Esse sim é um desafio aos que tem medo de altura! É alto, alto, muito alto! O início da subida fica em Jounieh, uma cidade vizinha à Beirute, famosa pela badalada noite. A julgar pelas propagandas dessas "festas" podemos dizer que o santo e o devasso estão em constante harmonia na cidade...
   A estátua da Nossa Senhora do Líbano é majestosa, bela e a posição em que foi colocada, com o sol brilhando logo por trás, gera um clima um tanto quanto místico... A visão que temos lá de cima é privilegiada e dispensa comentários!









   Ficamos um tempo, contemplamos a paisagem, observamos a fé das pessoas que se apertavam para tocar os pés da Santa e descemos no teleférico retornando até o ponto de inicial.
  Seguimos para Byblos, antigo porto dos fenícios. Acredita-se que a cidade seja a mais antiga continuamente habitada no mundo. Haja história! O pontos mais visitados são o porto, o centro antigo, o castelo e o velho souk. Gostamos muito da cidade! Alegre, movimentada, bonita... Se não fossem as comidas e a fisionomia dos locais, poderíamos dizer que estávamos em qualquer cidade européia à beira do mediterrâneo. A beleza da cidade atrai muitos noivos e suas fotos pré-nupciais. Almoçamos no Chez Pepe. Comida gostosa, bom preço e bem servida. Fica logo no porto, primeiro lugar que visitamos.




   Almoçamos e continuamos nossa visita pelas ruelas da cidade. O castelo não tem nada demais, é um castelo como outros tantos que podemos ver por aí, mas os arredores são belíssimos, desde construções antigas com o mar mediterrâneo logo ali atrás, praias badaladas, pescadores e esportistas alucinados em seus jet skis...







   Hora de dar uma voltinha pelo velho souk e voltar pra casa…


No caminho o Hussein foi nos falando de bons lugares para tomar uma cerveja à noite e nos deixou no centro de Beirute. O lugar foi totalmente reconstruído após a guerra civil e o esquema de segurança ainda é muito forte por lá. Cada vez que nos aproximávamos da sede do governo éramos revistados e observados em nosso trajeto. Uma cidade linda, com tanta história, tomado pelo medo... Triste! A mesquita Mohammad Al-Amin é belíssima e é possível entrar respeitando as tradições islâmicas, ou seja, descalço e com vestimentas adequadas. A Place L'Étoile é um ponto de encontro da juventude libanesa e está a poucos metros da sede do governo. O relógio rolex é um atrativo, mas confesso que a praça em si é muito mais interessante e agradável.








   Na volta ao hotel, passamos pelo souk de Beirute, totalmente revitalizado e moderno com lojas de marcas, muito diferente de outros países árabes que já conheci. A população reclama, afinal a revitalização parece ter deixado de lado a cultura local. Não é um lugar para o povo do Líbano!
   À noite saímos pelo lugares recomendados pelo Hussein. Sendo bem sincero, me senti exatamente como no Brasil com a exceção que não fiquei com medo de andar nas ruas escuras... Povo alegre, jovens garotos dando em cima das meninas sozinhas, muita bebida alcoólica e o grande show da noite: briga! Exatamente como no Brasil! Um fala uma coisa, outro revida e em instantes e bem ao nosso lado, socos, chutes e um garoto caído no chão... Após alguns segundos, levantou e se foi. Mais tarde voltou e tirou onda com os caras que o tinham nocauteado. Louco? Corajoso? Guerreiro? Será que temos solução?
   Hora de voltar ao hotel, dia seguinte teríamos os momentos mais tensos da viagem: Anjaar, Baalbek e pra terminar bem, Chateau Ksara. Seria prudente chegar tão perto da Síria? Apostem suas fichas...

terça-feira, 25 de março de 2014

Oriente Médio - desembarcando em Beirute, Líbano!

   Desde que começamos os preparativos de nossa viagem, toda vez que falávamos que iríamos visitar o Líbano a reação era sempre a mesma:
- Líbano? Mas o que vocês vão fazer por lá? Estão loucos? 
   É claro que se pensarmos que a Síria fica bem ali ao lado e a guerra civil no país estava no ápice da confusão naquele momento, dava até para entender o questionamento, mas tenho a impressão que muito desse sentimento estava enraizado nas pessoas desde que o Líbano foi um dos protagonistas de uma das guerras mais violentas e duradouras em tempos recentes... Pra falar a verdade, até bem pouco tempo eu também tinha certo preconceito e só foi após a leitura de 2 outros blogs de viagens que minhas idéias começaram a mudar, são eles o Dry Everywhere da Adriana Miller (drieverywhere.net) e o Viaggiomondo da Fê Costta (http://www.viaggio-mondo.com). E foi justamente nesses 2 blogs que pegamos o contato de um cara que faria toda a diferença em nossa passagem pelo país, o Hussein Abdallah (www.lebanontours.weebly.com). Entramos em contato durante os preparativos no Brasil. A resposta sempre foi rápida e deixamos agendados 2 dias de passeios e o translado do aeroporto ao hotel.  
   No nosso voo entre a Jordânia e o Líbano confesso que pensei diversas vezes se tínhamos realmente tomado a decisão certa, afinal 2 mísseis tinham atingido Beirute, mas foi só a cidade aparecer pela janela do avião que esses pensamentos foram ficando para trás. Ao sobrevoar a Jordânia e Israel apenas cor de terra, deserto... O Líbano se mostrava verde, colorido, alegre... 
   A passagem pela alfândega não foi muito fácil. Não entendemos direito se era necessário pagar alguma taxa e qual fila deveríamos pegar. Após uma longa espera, era chegada nossa vez. O Joalbo passou fácil, mas eu e o Thomas fomos encaminhados para outro balcão. Vai entender! A funcionária que nos atendeu nos falou que o outro carinha deveria estar com preguiça, pois ele mesmo poderia ter feito. É bom lembrar que se você tiver o carimbo de Israel no passaporte, nada feito. Na saída lá estava o Hussein com a plaquinha. Alívio imediato! 
   Trânsito pesado até o hotel. Não deve nada aos congestionamentos da grande São Paulo. Pelo caminho foi ele nos dando algumas explicações e possibilidades de roteiro. Disse que o único lugar que não aconselhava ir era Tripoli. Ok, recomendação aceita! 
   Em certo ponto, já próximo ao hotel começamos a ver prédios com marcas de tiros da época da guerra civil. Uma loucura que durou de 1975 a 1990. A maior parte da cidade foi restaurada, mas alguns prédios foram deixados, talvez para servir de exemplo para que não se cometa os mesmos erros...



Chegamos ao hotel (não me recordo o nome) que ficava no bairro de Hamra, um lugar cheio de bares, restaurantes, faculdades e gente nas ruas. Combinamos com o Hussein o passeio para o dia seguinte e ele nos deu algumas dicas para passarmos a tarde. Uma coisa interessante do Líbano é que o dólar americano é aceito como moeda corrente e nem precisa se preocupar em trocar dinheiro. O câmbio é fixo. Você paga em dólar e recebe o troco em libras libanesas, sem precisar ficar fazendo cálculo para saber se o câmbio está justo ou não. Comemos alguma coisa ali por perto mesmo. Acho que fomos os únicos que não experimentamos o narguilé (ou shisha), era fumaça pra todo o lado. O lugar era bem moderno e cheio de camuflagens por cima de nossas cabeças. Decoração ou proteção?


   Após o almoço, saimos para dar uma volta pela Corniche. Logo que iniciamos o passeio fomos abordados por um grupo de crianças que queria engraxar nossos tênis! Com a negativa, pediram dinheiro pois estavam com fome, aí eram crianças sírias orfãs e por fim começaram a fingir que choravam (mas fingir da maneira mais falsa possível) e rir das nossas caras de assustados. Só nos deixaram em paz após uma intervenção um pouco mais rude de nossa parte... Alguma semelhança? Andamos até as Pingeons Rocks e sentamos para tomar umas cervejas e curtir o pôr do sol. Voltamos para o hotel por entre barricadas, baterias anti-aéreas, tanques e soldados... Dia seguinte tínhamos agenda cheia: Jeita Grotto, Byblos e Harissa.